Excelências, distintos colegas,
Gostaria de tomar emprestadas as palavras do meu querido amigo André, que presidiu com tanto êxito a nossa COP30.
As deliberações no âmbito da UNFCCC dependem de consenso. Mas a implementação depende de nossos esforços individuais – e da nossa capacidade de cooperar.
O presidente Lula insistiu que, na COP30, deveríamos nos comprometer a lançar processos para desenvolver mapas do caminho claros: um para a transição para longe dos combustíveis fósseis e outro para o fim do desmatamento.
Infelizmente, não conseguimos chegar a um acordo sobre esses pontos em Belém. Mas o presidente André Corrêa do Lago e sua equipe iniciaram as discussões que nos permitirão avançar nesses dois roteiros essenciais.
Ainda assim, como acreditamos que a implementação está ao nosso alcance, o Brasil, em conjunto com países parceiros, propôs a criação do Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF): um mecanismo inovador que não se baseia em doações, mas em investimentos. Ele pode gerar um fluxo permanente e de longo prazo de financiamento para conservar florestas tropicais em mais de sessenta países.
Hoje, 66 países, além da União Europeia, apoiam essa iniciativa. Já temos US$6,7 bilhões comprometidos e, nas últimas semanas, avançamos na estrutura de governança com o Banco Mundial para tornar o TFFF operacional. O que precisamos agora é alcançar US$10 bilhões para destravar o investimento privado e ativar plenamente o fundo.
E por que este é um exemplo concreto de que cumprir a meta de 1,5ºC está ao nosso alcance?
Permitam-me ilustrar com a experiência do Brasil. Nos últimos três anos, reduzimos o desmatamento na Amazônia em 50%. Combinado com reduções em outros biomas, como o Cerrado e a Mata Atlântica, isso evitou aproximadamente 800 milhões de toneladas de emissões de CO₂ equivalente.
Este fato demonstra a escala de impacto que o TFFF pode gerar para a meta de 1,5ºC.
Ao mesmo tempo, reconhecemos a importância de acelerar a transição em todos os setores, incluindo transporte e indústria.
Nesse sentido, os biocombustíveis são uma parte importante de nossa estratégia.
O Brasil tem décadas de experiência com etanol e outros biocombustíveis, que hoje desempenham um papel significativo na redução de emissões no setor de transportes. Embora os biocombustíveis ainda enfrentem resistência e questionamentos legítimos em partes do debate internacional, acreditamos que devem ser considerados como parte de um portfólio mais amplo de soluções, particularmente em setores em que a eletrificação permanece difícil no curto prazo.
Avançar em critérios de sustentabilidade, garantir a integridade ambiental e promover a transparência serão essenciais para construir maior confiança nessas soluções.
É por isso que o presidente Lula recentemente levou um exemplo concreto ao cenário internacional. Na Feira de Hannover, o Brasil apresentou um caminhão fabricado no país pela Mercedes-Benz, movido 100% a biocombustível.
A mensagem foi simples, mas importante: as soluções já existem. O desafio diante de nós é ampliá-las, assegurar sua sustentabilidade e integrá-las a estratégias de transição mais amplas.
Muito obrigado.
***
Speech by Minister João Paulo Capobianco at Session 1: “Setting the scene for COP31” of the Petersberg Climate Dialogue 2026
Excellencies, distinguished colleagues,
I would like to borrow the words of my dear friend André, who so successfully presided over our COP30.
Deliberations under the UNFCCC depend on consensus. But implementation depends on our individual efforts—and on our ability to cooperate.
President Lula insisted that, at COP30, we should commit to launching processes to develop clear roadmaps: one for transitioning away from fossil fuels, and another for ending deforestation.
Unfortunately, we were not able to reach agreement on these in Belém. But President André Corrêa do Lago and his team initiated the discussions that will allow us to move forward on these two essential roadmaps.
Still, because we believe implementation is within reach, Brazil – together with partner countries – proposed the creation of the Tropical Forest Forever Facility (TFFF): an innovative mechanism that relies not on donations, but on investments. It can generate a permanent, long-term flow of finance to conserve tropical forests across more than sixty countries.
Today, 66 countries plus the European Union support this initiative. We already have 6.7 billion dollars committed, and in recent weeks we have advanced the governance structure with the World Bank to make the TFFF operational. What we need now is to reach 10 billion dollars to unlock private investment and fully activate the fund.
And why is this a concrete example that delivering on the 1.5ºC goal is within our reach?
Allow me to illustrate with Brazil’s experience. Over the past three years, we have reduced deforestation in the Amazon by 50%. Combined with reductions in other biomes—such as the Cerrado and the Atlantic Forest—this has avoided approximately 800 million tons of CO₂ equivalent emissions.
This demonstrates the scale of impact that the TFFF can deliver for the 1.5ºC mission.
At the same time, we recognize the importance of accelerating the transition in all sectors, including transport and industry.
In this regard, biofuels are an important part of our strategy.
Brazil has decades of experience with ethanol and other biofuels, which today play a significant role in reducing emissions in the transport sector. While biofuels still face resistance and legitimate questions in parts of the international debate, we believe they should be considered as part of a broader portfolio of solutions — particularly in sectors where electrification remains difficult in the short term.
Advancing sustainability criteria, ensuring environmental integrity, and promoting transparency will be essential to building greater trust in these solutions.
This is why President Lula recently brought a concrete example to the international stage. At the Hannover Fair, Brazil presented a truck manufactured in the country by Mercedes-Benz, powered 100 percent by biofuel.
The message was simple, but important: solutions already exist today. The challenge before us is to scale them, to ensure their sustainability, and to integrate them into broader transition strategies.
Thank you very much.
Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
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